quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Terno e Vestidos se repetem

Com o passar do tempo comecei a observar o comportamento da juventude sergipana em festas particulares, ou melhor, em festas de 15 anos, onde eles se reúnem na maioria das vezes com belas roupas, perfumes, comidas e bebidas a vontade e sem, sem nenhum supervisor por perto.
As festas sempre começam do mesmo jeito, os convidados mais velhos chegam cedo com seus filhos bem vestidos e alinhados. As 22:00h os filhos desacompanhados começam a chegar, os garçons começam a servir a bebida alcoólica, geralmente começam a servir cerveja, água, refrigerante. Depois começam a aparecer o pró-seco, a ice e o wiski. Os coquetéis são servidos em uma barraquinha que fica estrategicamente posicionada do lado da mesa de guloseimas, onde ficam espalhados e de fácil acesso a mão balas, chicletes, chocolates e pirulitos.
O DJ começa com uma musica lounge, só para criar o clima da festa. Tudo ocorre bem. A meia-noite, a hora esperada, 14 casais de amigos escolhidos pela debutante aparecem para a valsa dos 15 anos, hoje com o costume, coreografada e ensaiada por alguém do ramo da dança, todos dançam a valsa e uma música mais moderna, sempre fazendo o link com o tradicional e o tema da festa.
Depois os parabéns começa o pandemônio, os pais vão embora e ficam seus filhos alinhados e perfumados, que com o bater das chaves no carro do pai eles se transformam em verdadeiros baladeiros de plantão usando fraldas.
Eles sempre usando um terno grande, mal-cortado e quente para os nossos padrões, muitos pela primeira vez fizeram a barba e já estão sentindo os hormônios a flor da pele, ou será já o efeito do álcool?


As meninas com seus cabelos escovados parecem várias formas de playmobil, aquele bonequinho que fez o maior sucesso entre os jovens nos anos 80. Elas paramentadas com bolsas de carretinha, saltos super-altos, que quase não a deixam andar, e vestidos, ou como costumo dizer, toalhas de banho enroladas no corpo. Todas sempre iguais, só mudam a cor do vestido.

A banda começa e eles ficam loucos. Dançam, suam e tocam uns aos outros com uma propriedade enorme de causa. Parecem donos do mundo e assumem essa postura se alguém pede para irem com calma.

Fica bem claro numa festa como esta a forma como eles se dividem, no centro da pista fica o grupo dos “dançarinos acabadões”, eles dançam a noite toda, não comem, não bebem e no final beijam alguém, um pouco mais afastado fica a galera do “tento acompanhar”, ele buscam aprender os passos, as músicas e pegar o ritmo do grupo central, eles bebem algo para se soltarem e no final sempre beijam alguém. Nas bordas ficam os casais com mais tempo de namoro, que já passaram da fase do “agarramento”, casais mais maduros por volta de 03 a 04 semanas de namoro. Estes dançam juntos, tão juntos que não conseguimos entender onde começa um e termina o outro, os meninos bebem muito e as meninas incentivam, depois acabam carregando eles para algum canto e saem da festa com a cara feia.

Por fim existe a galera que fica na periferia da pista. Este é o grupo mais heterogêneo da festa, existem desde casais a dançarinos loucamente insanos que vivem numa rave imaginária, que só eles sabem onde esta o bate-estaca. Este meio também é povoado pelo pior tipo de gente, aqueles que bebem, dançam e fazem merda. É a junção de todos os grupos da festa e ainda com um acréscimo de falta de educação absurda, tenho certeza que os pais destas criaturas não sabem nem um pouco o que os filhos fazem, e se sabem, fingem muitíssimo bem que não.

A festa vai passando e começa a circular mais garçons servindo água para mulecada na tentativa frustrada de diminuir o efeito do álcool ingerido durante toda a festa. O mais impressionante nisso tudo é que eles vivem a festa como se fosse a ultima festa da vida deles. Vão a todos os limites, deles e dos outros, constroem uma lista de bocas, mãos e bumbuns. Na pouca idade que têm, já construíram uma marca, uma identidade festiva, onde cada um tem seu lugar no salão, comendo ou não, bebendo e muito de tudo e mais um pouco, esperando o pai do lado de fora do salão, eles com o terno enrolado no braço e elas com o salto alto que tiraram logo depois que as havaianas foram distribuídas na mão. isso acontece as 05:00h da matina, ou como eles gostam de dizer no lixo.

O mais legal disso tudo é que ele irão comentar sobre esta festa por muito tempo, até que sexta que vem, uma outra menina irá fazer seus 15 anos e eles voltam a usar seus ternos mal cortados, seus vestidos-toalha com cabelo playmobil e irão beber e aproveitar a festa como última festa da grande vida deles.

Um comentário:

Isabele Ribeiro disse...

você tá escrevendo cada vez melhor... AMEI muito esse post ;) te amo!