domingo, outubro 11, 2009

Voar


Quando eu danço, consigo fazer coisas que nunca imaginei fazer. Torno-me outra pessoa, com gosto, sons e vida completamente diferentes do meu.


Esta outra pessoa também possui poderes especiais, e um deles é voar. Conseguir voar é o sonho de todos os homens, e imitar com fidelidade uma ave é para poucos e imortalizar um vôo é ainda mais difícil. Nijinsk (grande bailarino) falou: “não é difícil ficar no ar, somente precisa-se de uma pequena pausa enquanto estiver lá em cima”, e ele tinha razão. Esta pausa para quem ver é simples, rápida, mas para quem está lá, “parado” é uma eternidade. Passa um filme, todo o sacrifício para está ali, todo o esforço, dores no corpo, palavras malcriadas ouvidas, além de uma série de outras situações e sons desprendidos para aquele simples voar.

Para um bailarino saltar, voar, levantar é uma rotina, é praticamente uma vírgula. Todos os dias repetindo milhares e milhares de vezes à mesma seqüência de saltos, sobre-saltos, giros, suspensões de corpo, é exaustante, mas no final do dia, quando a luz se apaga, a roupa é colocada no guarda-roupa e o som é desligado, aquela pausa é transforma em imagem e imortalizada.



Um comentário:

Léo Santolli * disse...

Talvez seja de fato difícil descrever a sensação do vento cortar seu rosto e ao mesmo tempo não ter peso nos pés...
E tbm acredito que voar seja a coisa mais divina !
[...] Tudo bem que eu estou longe disso.. atualmente tenho a leveza de um hipopótamo !